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15 junho, 2009

O Maior Amor do Mundo

Road Movie do coração - foi assim que o diretor Cacá Diegues se referiu ao filme. Não são os locais o que mais importa nessa jornada e sim a mudança da personagem pelas novas situações que vivencia. É a história de um (quase) anti-herói brasileiro, nascido no dia da fatídica final da Copa do Mundo de 50, Antônio, filho adotivo de uma família bastarda foi estudar nos EUA, formou-se astrofísico e continuou no exterior. A personagem passou a vida mirando o céu, tentando controlar as leis que regem o Universo, e deixou de lado as emoções e sentimentos, apenas seguindo o fluxo, acreditando na previsibilidade da vida. Quando descobre que sofre de uma doença incurável e da qual não teria controle, este homem faz uma espécie de regresso, em busca do elo em suas origens, em sua infância, uma reconciliação com seu passado. Essa busca o leva a uma favela carioca em meio ao tráfico e a violência, a procura de Zezé, uma senhora que saberia dizer algo sobre sua mãe biológica. O choque entre os diferentes mundos ainda é menor do que a percepção de Antônio- tudo que havia desperdiçado e agora não teria tempo para recuperar. Nessa trajetória, entre outras coisas, ele descobre seu lado feminino, emotivo. Descobre a vida.

Antônio é a metáfora do Brasil, um país que precisa se definir, o país das expectativas frustadas, o país da corda-bamba, e então, esse Brasil tem de morrer, para que nasça uma nova possibilidade de se reinventar.

Ano de Lançamento: 2006
Direção: Cacá Diegues
Roteiro: Cacá Diegues
Produção: Renata Almeida Magalhães
Música: Guto Graça Mello
Fotografia:Lauro Escorel

03 março, 2009

Ensaio sobre a cegueira


"...como se se encontrasse mergulhado de olhos abertos num mar de leite"

O filme começa e logo aquela imagem excessivamente branca toma conta da tela, a fotografia já começa a pertubar. Cenas desfocadas deixam a sensação desconfortável do que seria não enxergar. Repugnância, revolta, e outros sentimentos repulsivos são transmitidos ao espectadores, bem como no livro - claro que a leitura é mais carregada de olhares (escritor, narrador e personagem). Fernando Meirelles não decepciona. Tem a adorada Juliane Moore. E o guapo Gael Garcia Bernal.




Para relembrar, um trecho:

"O mal da rapariga dos óculos escuros não era de gravidade, tinha apenas uma conjuntivite das mais simples, que o tópico ligeiramente recomendado pelo médico iria resolver em poucos dias. Já sabe, durante esse tempo só tira os óculos para dormir, dissera-lhe. O gracejo levava muitos anos de uso, é mesmo de supor que viesse passando de geração em geração de oftalmologistas, mas o efeito repetia-se de cada vez, o médico sorria ao dizê-lo, sorria o paciente ao ouvi-lo, e neste caso valia a pena, porque a rapariga tinha os dentes bonitos e sabia como mostrá-los. Por natural misantropia ou demasiadas decepções na vida, qualquer céptico comum, conhecedor dos pormenores da vida desta mulher, insinuaria que a bonitez do sorriso não passava de uma artimanha de ofício, afirmação maldosa e gratuita, porque ele, o sorriso, já tinha sido assim nos tempos não muito distantes em que a mulher fora menina, palavra em desuso, quando o futuro era uma carta fechada e a curiosidade de abri-la ainda estava por nascer. Simplificando, pois, poder-se-ia incluir esta mulher na classe das denominadas prostitutas, mas a complexidade da trama das relações sociais, tanto diurnas como nocturnas, tanto verticais como horizontais, da época aqui descrita, aconselha a moderar qualquer tendência para juízos peremptórios, definitivos, balda de que, por exagerada suficiência nossa, talvez nunca consigamos livrar-nos. Ainda que seja evidente o muito que de nuvem há em Juno, não é lícito, de todo, teimar em confundir com uma deusa grega o que não passa de uma vulgar massa de gotas de água pairando na atmosfera. Sem dúvida, esta mulher vai para a cama a troco de dinheiro, o que permitiria, provavelmente, sem mais considerações, classificá-la como prostituta de facto, mas, sendo certo que só vai quando quer e com quem quer, não é de desdenhar a probabilidade de que tal diferença de direito deva determinar cautelarmente a sua exclusão do grémio, entendido como um todo. Ela tem, como a gente normal, uma profissão, e, também como a gente normal, aproveita as horas que lhe ficam para dar algumas alegrias ao corpo e suficientes satisfações às necessidades, as particulares e as gerais. Se não se pretender reduzi-la a uma definição primária, o que finalmente se deverá dizer dela, em lato sentido, é que vive como lhe apetece e ainda por cima tira daí todo o prazer que pode."

Título Original: Blindness
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano: 2008
Direção: Fernando Meirelles
Roteiro: Don McKellar, baseado em livro de José Saramago
www.ensaiosobreacegueirafilme.com.br

28 fevereiro, 2009

O signo da cidade

Todos tem um rumo a seguir, nessa cidade maluca, cada cano transporta destinos unidos por sentimentos em comum...


Histórias humanas - das enfermidades, da mentira, da loucura, da solidão, do desespero - que parecem desconectadas se enredam numa engenhosa teia, entre acasos e coinscidências. Apesar das características trágicas particularmente brasileiras, é possível encontrar, no filme , elementos do trágico, porque a essência da tragédia está no coração do homem.



Trilha sonora
Direção: Carlos Alberto Riccelli
Elenco: Bruna Lombardi, Juca de Oliveira, Eva Wilma, Denise Fraga e Graziella Moretto
Produção: Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli
Roteiro: Bruna Lombardi
Ano: 2007
País: Brasil
Duração: 95 minutos

http://www.osignodacidade.com.br/pt/

26 fevereiro, 2009

Sangue Negro, 2007

petróleo
pré-crise
violência
fanatismo religioso
ódio
estados unidos
mãos sujas
sangue negro
arrepiante
império
solidão
mentiras
manipulação
mais sangue
silêncio



O melhor filme dos últimos tempos.
(There Will Be Blood, 2007)
Gênero: Drama
Duração: 158 min
Origem: EUA
Estúdio: Buena Vista International
Direção: Paul Thomas Anderson
Roteiro: Paul Thomas Anderson
Produção: Paul Thomas Anderson, Daniel Lupi, Joanne Sellar

trailer